A Mostra de Projetos do 2º Encontro de Urbanismo Colaborativo reuniu em Brasília equipes de todo o Brasil.  Com projetos pautados na colaboração, criatividade e promovendo um alto impacto social, a 2ª Mostra inspirou os participantes e possibilitou a troca de ferramentas e ideias, explorando novos caminhos de como podemos construir cidades mais inclusivas, com a mobilização de atores locais.

Ao longo do evento, os participantes puderam votar em 2 projetos para concorrerem ao prêmio de projeto vencedor, bem como ao 2º e 3 lugar.  A contagem dos votos contou com o presidente do COURB, com acompanhamento de um representante do CAU-DF e ao final do evento, o Instituto COURB anunciou os três vencedores, escolhidos entre os 21 projetos expostos durante o Encontro.

Parabenizamos a todas as equipes participantes e apresentamos, a seguir, os vencedores da 2ª Mostra:  

Primeiro lugar: Aqui tem sombra! –  Cubo Urbano

1 lugar mostra

Foto Thiago Abreu

Com uma celebração que emocionou a todos os presentes, a equipe do Coletivo Cubo Urbano, de Juazeiro do Norte, no interior de Ceará, foi a mais votada pelo público, recebendo o 1º lugar e o prêmio de R$1.000,00 do Instituto COURB para fomentar a continuidade de suas ações.

 mostra - vencedores

A proposta Aqui tem sombra! aplicou ações táticas capazes de chamar a atenção do governo e sociedade para a ausência e ineficiência dos abrigos dos pontos de ônibus da cidade.  A intervenção  consistiu na construção colaborativa desses equipamentos com sombrinhas: o indivíduo retirava uma do suporte, usava, repassava para o outro e pegava sua condução. O projeto manifestou de maneira  bem-humorada a reivindicação dos direitos de se realizar novos trajetos à sombra, pautando-se no sentimento de altruísmo e coletividade.

mural

Imagem: Coletivo Cubo Urbano

Antes de conceber a intervenção, a equipe realizou uma pesquisa de opinião com cerca de 66 usuários do transporte público para compreender melhor a problemática vivenciada por eles. Em seguida, realizaram a intervenção em março de 2017 e observaram o uso das sombrinhas de forma livre e espontânea. Mesmo com a utilização de objetos simples e pouco espaço, o impacto gerado pelo projeto foi significativo: além da resposta positiva dos usuários no dia da intervenção, foram engajados mais de 10.600 internautas na campanha online por abrigos melhores na cidade. O debate avançou para diversos veículos de comunicação (rádio, tv e revista) e no mês de setembro a prefeitura lançou o projeto de abrigos de paradas de ônibus em 100 pontos na cidade. Os recurso utilizado para o Aqui Tem Sombra! (R$70,00) foi oriundo da venda de ímãs de geladeira por todos os membros do coletivo Cubo Urbano.

 

Segundo lugar: A Vila que Reinventamos – Arq Caio Vinícius Sales Fiuza

2 lugar mostra

Foto Thiago Abreu

Em segundo lugar, ficou o proposta A Vila que Reinventamos, concebido pelo arq. Caio Vinícius Sales Fiuza em seu trabalho de conclusão de curso em arquitetura e urbanismo, orientado pela Prof.ª Liza Andrade.

O projeto, que faz parte do PEAC – Projeto de Extensão de Ação Contínua – “PERIFÉRICO, Trabalhos Emergentes”, da FAU/UnB, visou fortalecer a rede de moradores da Vila Cultural, assentamento irregular e uma das únicas áreas do Plano Piloto onde permanece e resiste o urbanismo emergente.  A primeira etapa do trabalho consistiu num diagnóstico da área e a segunda focou no processo participativo facilitado por uma metodologia lúdica (Jogo Oásis). Com isso, chegou-se a um acordo sobre a escolha das áreas de intervenção e, após as ações, foi elaborado um microplanejamento urbano da ocupação, com diretrizes definidas pelos próprios moradores.

O primeiro contato com os moradores aconteceu através da página do Facebook da Vila Cultural, seguido de conversas com eles na primeira fase do trabalho. Em seguida, mais pessoas se envolveram na segunda fase, participando ativamente do Jogo Oásis e mobilizando ainda mais moradores. Esta etapa também contou com a contribuição de atores da UnB, um coletivo de intervenções urbanas e uma psicóloga que já tinha experiência com a metodologia. Em dois dias de mutirão, 100 pessoas foram mobilizadas. Em um ano de trabalho, os materiais utilizados foram doados ou frutos do reuso, sendo gasto apenas R$150,00 para impressão de materiais.

O projeto visou, portanto, despertar o potencial transformador da comunidade, fortalecendo as redes de moradores da comunidade, através de uma ação realizada por eles mesmos. Após a primeira mobilização, os moradores se organizaram novamente para outros mutirões. O primeiro deles foi para realizar a inclusão de uma biblioteca comunitária na nova praça construída coletivamente que, em seguida, abrigou vários eventos comunitários. O segundo, teve como objetivo a pintura de mais muros da ocupação, com artes de  grafiteiras de todo os DF.

Terceiro lugar: Reforma da pracinha do Mandela –  Projeto Criança Pequena em Foco

3 lugar

Foto Thiago Abreu

A Reforma da Pracinha do Mandela, no Rio de Janeiro/RJ, realizada por uma ação coletiva entre  Membros da CECIP, Manguinhos e Companhia Municipal de Limpeza Urbana, ficou com o 3º lugar.  A proposta foi uma ação do Projeto Criança Pequena em Foco, que visou dar respostas às demandas das crianças da favela de Manguinhos, especialmente em relação à falta de espaços para brincar, mas cujo objetivo geral é a inclusão da participação infantil e comunitária no planejamento urbano.

Após uma fase inicial de diagnóstico, o projeto realizou uma oficina de escuta para saber o que os pequenos gostariam para a Pracinha do Mandela e diversos atores foram mobilizados para um mutirão de transformação. O desenvolvimento e execução desse projeto mobilizou crianças, poder público (Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro), associações de moradores e a comunidade em geral, empresas privadas e terceiro setor.

Apesar dos desafios relacionados à violência na região, que impossibilitaram a finalização do projeto como planejado, os moradores se mobilizaram e realizaram intervenções estruturais, artísticas e ambientais de forma espontânea e colaborativa. Portanto, o impacto desta ação, mais do que concretizar a reforma da pracinha, foi a mobilização comunitária que se construiu e perdura mesmo após o encerramento da ação. O projeto colaborativo, envolvendo adultos e crianças, fortalece o cuidado pelo espaço, consolida o sentido de pertencimento comunitário e colabora para o sentido de pertencimento comunitário. O recurso utilizado para a realização da ação totalizou R$13.000,00, sendo que cerca de 70% foi arrecadado por uma campanha de financiamento coletivo e o restante representa o valor das tintas doadas por uma empresa.

Para conferir todos os projetos participantes, acesse aqui.